Inicialmente quero aproveitar para desejar a todos que acompanham este espaço, um feliz 2012 repleto de todas aquelas coisas que desejamos uns aos outros nesta ocasião, mas em especial, que possam nesse novo ano que se inicia, viverem sempre com dignidade, desenvolvendo cada dia mais o bom caráter, alcançando assim o direito a uma vida longa.
Hoje em um debate do qual participei, me deparei com a seguinte indagação: É possível um sacerdote de Osun iniciar um Elegun ao Orisa Òbá? E as respostas foram uníssonas no sentido de que Sim. Que Orisa não conhece as intrigas impostas pelos seres humanos. Que Orisa é superior a tudo isso. Que se a pessoa foi iniciada e está feliz, é sinal de que tudo anda bem! E assim por diante.
E também para variar, a única pessoa que discordou da esmagadora maioria foi eu (rs..).
Colocarei aqui o meu ponto de vista, baseado na cultura que sigo, da maneira mais simplória possível, propiciando assim a todos o entendimento dos meus argumentos. Vejamos:
1. Voltando ao tema posto para análise anteriormente, volto a questionar: como pode um sacerdote de Osun, que foi iniciado no culto a Osun, que supostamente absorveu conhecimento sobre o culto a Osun, que recebeu o sacerdócio referente a cultura de Osun, que possui o asé de Osun, transmitir qualquer outro asé, qualquer outro conhecimento cultural, que seja diferente do culto a Osun? Não obtive resposta.
2. Outro ponto a ser ressaltado nesta situação específica entre Osun e Òbá refere-se à especificidade de culto ancestral feminino inerente a cada um destes Orisa. Osun instituiu a Sociedade Gelede, formada por mulheres para o culto a ancestralidade feminina. Já Òbá é a responsável pela criação da Sociedade Eleeko, também voltada ao culto ancestral feminino, mas que em nada se assemelha à sociedade criada por Osun.
E fato importante é que uma não é bem vinda dentro da sociedade da outra.
Por outro lado, esse culto é fundamental para a complementação da iniciação de Eleguns deste Orisa.
Novamente perguntei: como pode então um homem de Osun propiciar essa complementação à um Elegun de Òbá??? E novamente fiquei sem respostas.
3. Após este debate fui surpreendida com a afirmação de que a busca pelo fundamentalismo inviabiliza o culto a Orisa no Brasil! Como resposta, ofereci uma afirmação e um novo questionamento que agora compartilho com vocês: se fundamentalismo se refere a algo que é fundamental, se deixarmos de buscar o fundamentalismo o que acontece? Deixa de ter fundamento. E se não tem fundamento, existe porventura Orisa??? Ainda continuo sem a resposta dos outros debatedores...
O culto a Orisa em solo brasileiro é perfeitamente possível, desde é claro que devidamente fundamentado na sua origem cultural. Culto a vários Orisa num único espaço também é possível, desde que mantida a sua individualidade. Todavia, isso significaria para muitos um retrocesso.
Mas o que é o culto a Orisa senão a busca no passado de soluções para o presente, propiciando assim um futuro melhor?
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