Dentro do culto a Orisa, nas mais variadas vertentes é visto com naturalidade a prerrogativa do sacerdote responsável pela comunidade de asé iniciar todos os freqüentadores, que se tornarão filhos de santo.
É também uma constante e realidade o fato de que dentro do culto a Orisa, uma pessoa somente pode dar aquilo que ela tem a oferecer. E isso também está relacionado com a transmissão de asé. Uma pessoa somente pode transmitir a energia da qual é detentora.
Partindo dessas premissas, um questionamento se faz necessário: como pode um sacerdote iniciado em um único (ou no máximo em dois) Orisa iniciar pessoas nos mais diversos cultos, de diferentes Orisa, sem possuir o asé desses outros Ancestrais? Como pode iniciar alguém num culto do qual não faz parte?
Muitos podem dizer: Ah! Mas no candomblé sempre foi assim! Ledo engano! O candomblé não se originou nesse molde que hoje é adotado! O candomblé se iniciou com a reunião de pessoas que já vinham de seus locais de origem iniciadas no culto de seus ancestrais. E dessa reunião, no mesmo espaço, e sob a direção de uma sacerdotisa, originou-se o que hoje todos chamam de candomblé.
Mas voltando ao assunto, quando uma pessoa é iniciada, ela adentra não à instituição candomblé. O neófito inicia-se dentro do culto de um Orisa, abrigado na cultura brasileira pela instituição candomblé.
Além do mais, os sacerdotes de culto brasileiro, quando recebem seu título, seja com 01,03, 07 ou quando tiverem dinheiro suficiente para galgar nível sacerdotal, não recebem o asé de todos os Orisa. Recebem apenas e tão somente o título de sacerdote no culto ao Orisa no qual foi iniciado!
Portanto, e mesmo sabendo que aqui o culto brasileiro a Orisa hoje se desenvolve baseado no conceito de que um pai ou mãe de santo pode iniciar uma pessoa no culto de qualquer Orisa, eu não poderia deixar de atentar para essa situação contraditória que se encontra instalada.
Restam as perguntas: Um pai de santo de Ogun tem asé de Osún para transmitir na iniciação? Uma mãe de santo de Oyá tem asé de Osunmarè para transmitir a uma outra pessoa?
Pais e Mães de Santo que adotam o sistema de culto brasileiro a Orisa são pais e mães de santo de todos os santos?
Diante destes questionamentos é que reafirmo o fato de que nem todos os iniciados no culto a Orisa tem caminho para alcançar o sacerdócio. E caso seja identificado esse caminho, desde a iniciação até a obtenção do título de sacerdote, o iniciado precisa acumular iniciações nas mais diversas culturas, para então, e somente então, ter algo a transmitir aos que se propõem iniciar no culto a Orisa.
surpreendente reflexão!
ResponderExcluirDuvida.... Então uma pessoa de Oya iniciada por um pai de santo de Osossi no candomblé.... É ou não é de fato iniciada levando em consideração que o pai de santo não tem essa energia.
ResponderExcluir