segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ogunda Irete: A importância da nossa família, nossa linhagem.

Bile ba baje
A tun ko
Bona na baje
A tun ye
Booko Baba eni ba baje
Eni a dirankiran
Eni a deeyankeeyan
Difa fun Ogun
Nijo ti lo ree dajo awon odale eniyan
Nje Booko Baba eni ba baje
Eni a dirankiran
Eni a deeyankeeyan
Riru ebo
Eeru atukesu
e waa bani laarin ire
Marinrin ire laa bani lese ope


Tradução

Quando a casa é destruída
Podemos reconstruí-la.
Quando uma estrada é destruída
Podemos reconstruí-la
Quando o nome de um pai é destruído
Ageração torna-se em ruínas.
A geração torna-se obliterada
Advinhação feita para Ogun
No dia em que ia julgar o caso dos rebeldes
Poranto quando o próprio nome da linhagem é destruída
Ela se tornaria em ruínas
A geração seria destruída
Oferta de sacrificio
E presentes para Esu.
Venha conhecer-nos com boas novas
Um deles será encontrado com boas novas na base da palmeira.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Até onde pode ir a nossa fé?

Este texto foi enviado por Yuri Neira através de e-mail, solicitando autorização para publicação.
Espero que os leitores deste blog gostem do conteúdo e, diante da iniciativa do leitor Yuri, animem-se em enviar também as suas colaborações, que sempre serão bem-vindas!




Às vezes me pego pensando, até onde pode ir nossa fé? Tem
algum certo limite?
Fico me questionando, porque tantas pessoas abandonaram o
culto a Orisa? Será que a proposta feita pelo zelador não conseguiu ser
alcançada? Ou as decepções e desilusões foram tão autenticas que a fizeram
desistir?
Onde podemos buscar a resposta para tudo isto?
Quem é o errado? A pessoa ou Orisa?
Ou a falta de preparação do zelador?
E você, que está lendo... Em todos os jogos de búzios que
zeladores (as) foram consultar, quantos deles falaram que deveriam dar um
Egbori? Ou ate mesmo iniciado? Para que os problemas acabassem... Quantas
dessas pessoas acreditaram e se iniciaram sem ao menos saber o que é o Culto a
Orisa, com a doce ilusão, que a inocência da vitima chega a ser cruel... De que
todos os problemas iriam estar resolvidos dentre 21 dias recolhidos. 
Relativamente, os dias vão passando e a vida continuando...
E cadê os problemas resolvidos? O que antes era a maravilhosa solução acaba se
tornando seu maior problema. Tudo isto ocasionado pela pressa, desespero e
despreparo do Zelador que por incrível resultado, interfere para o resto da
vida da pessoa iniciada, o destino.
E nosso culto a Orisa? Como ficam todas essas pessoas que agem intencionalmente com o interesse de prejudicar alguém, ou ainda involuntariamente, com o conhecimento recebido incorretamente?Fé, o que seria? Uma autoconfiança? Ou apenas uma coisa
abstrata que nos ajuda a chegar ao ponto desejado? Pois é, a fé... Ela nunca
nos abandona, sentimos que não estamos sozinhos. A fé é aquela força interna, a
força da vontade... E com ela, tudo fica mais fácil.  Alias, precisamos dela para alcançar nossos
objetivos, ela nos dá força, energia para expelirmos a força que existe dentro
de nos para superarmos supostas situações em nossas vidas. A fé sempre chega
para apaziguar.
Todos nos precisamos de Fé. E sabe por quê? Por que
precisamos acreditar, mas acreditar com conhecimento, porque ter fé e acreditar
sem conhecimento já é loucura.
A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas.
A fé pode ser vista de duas maneiras no contexto religioso, que alguém aceita as visões dessa religião como verdadeiras. Que alguém é leal para com uma determinada comunidade religiosa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

E A BATALHA CONTINUA...

Inicialmente quero aproveitar para desejar a todos que acompanham este espaço, um feliz 2012 repleto de todas aquelas coisas que desejamos uns aos outros nesta ocasião, mas em especial, que possam nesse novo ano que se inicia, viverem sempre com dignidade, desenvolvendo cada dia mais o bom caráter, alcançando assim o direito a uma vida longa.

Hoje em um debate do qual participei, me deparei com a seguinte indagação: É possível um sacerdote de Osun iniciar um Elegun ao Orisa Òbá? E as respostas foram uníssonas no sentido de que Sim. Que Orisa não conhece as intrigas impostas pelos seres humanos. Que Orisa é superior a tudo isso. Que se a pessoa foi iniciada e está feliz, é sinal de que tudo anda bem! E assim por diante.

E também para variar, a única pessoa que discordou da esmagadora maioria foi eu (rs..).

Colocarei aqui o meu ponto de vista, baseado na cultura que sigo, da maneira mais simplória possível, propiciando assim a todos o entendimento dos meus argumentos. Vejamos:

1. Voltando ao tema posto para análise anteriormente, volto a questionar: como pode um sacerdote de Osun, que foi iniciado no culto a Osun, que supostamente absorveu conhecimento sobre o culto a Osun, que recebeu o sacerdócio referente a cultura de Osun, que possui o asé de Osun, transmitir qualquer outro asé, qualquer outro conhecimento cultural, que seja diferente do culto a Osun? Não obtive resposta.

2. Outro ponto a ser ressaltado nesta situação específica entre Osun e Òbá refere-se à especificidade de culto ancestral feminino inerente a cada um destes Orisa. Osun instituiu a Sociedade Gelede, formada por mulheres para o culto a ancestralidade feminina. Já Òbá é a responsável pela criação da Sociedade Eleeko, também voltada ao culto ancestral feminino, mas que em nada se assemelha à sociedade criada por Osun.
E fato importante é que uma não é bem vinda dentro da sociedade da outra.
Por outro lado, esse culto é fundamental para a complementação da iniciação de Eleguns deste Orisa.
Novamente perguntei: como pode então um homem de Osun propiciar essa complementação à um Elegun de Òbá??? E novamente fiquei sem respostas.

3. Após este debate fui surpreendida com a afirmação de que a busca pelo fundamentalismo inviabiliza o culto a Orisa no Brasil! Como resposta, ofereci uma afirmação e um novo questionamento que agora compartilho com vocês: se fundamentalismo se refere a algo que é fundamental, se deixarmos de buscar o fundamentalismo o que acontece? Deixa de ter fundamento. E se não tem fundamento, existe porventura Orisa??? Ainda continuo sem a resposta dos outros debatedores...

O culto a Orisa em solo brasileiro é perfeitamente possível, desde é claro que devidamente fundamentado na sua origem cultural. Culto a vários Orisa num único espaço também é possível, desde que mantida a sua individualidade. Todavia, isso significaria para muitos um retrocesso.

Mas o que é o culto a Orisa senão a busca no passado de soluções para o presente, propiciando assim um futuro melhor?