domingo, 26 de agosto de 2012

Relação de Consumo Religiosa.



O Brasil possui sua estrutura econômica pautada no consumismo. Muitas das vezes, nem mesmo as representações do Sagrado ficam imunes à lógica do mercado.

Atualmente nos deparamos com o homo religiosus contemporâneo que direciona seus esforços para se relacionar com o Sagrado e com suas representações. Toda essa demanda fortalece a constituição de um mercado de consumo especializado na oferta de bens simbólicos da religião. E a busca por esses bens religiosos tem por finalidade a satisfação dos interesses do fiel consumidor.

Podemos definir os bens simbólicos da religião como sendo os produtos e serviços religiosos oferecidos no campo religioso, capazes de permitir pontos de contato com o sagrado. São muitas vezes bens corriqueiros que, por vários atos litúrgicos recebem atributos especiais que os identificam com o sagrado.

Toda a sociedade brasileira é conhecida pela produção em alta escala de produtos e serviços. E no campo religioso não é diferente. As instituições religiosas se ocupam também em conceber produtos e serviços simbólicos da religião a fim de atender as possíveis demandas de seu público alvo (fiel consumidor).

E no mercado religioso também encontramos os modismos com vista a manter ou multiplicar o seu capital simbólico (capacidade da Organização Religiosa de criar, recriar e difundir os bens simbólicos da religião).

O exercício da necessária liberdade da atividade religiosa em nosso país quebrou com os monopólios religiosos anteriormente instalados. Por outro lado, propiciou a desenfreada proliferação de instâncias promotoras do sagrado, estabelecendo uma competitividade entre diversas organizações religiosas de nosso País. A competição está atrelada a formação do maior número de seguidores.

Nesse sentido, a organização religiosa passa a se preocupar em agradar o fiel consumidor, sob pena de perdê-lo para o concorrente que apresentar ambientes e práticas litúrgicas mais agradáveis aos seus interesses.

Nos ambientes religiosos as mensagens passam a ser articuladas cuidadosamente para atrair um número cada vez maior de fiéis consumidores, deixando de lado a real e necessária interpretação das orientações devidas a cada um dos seguimentos religiosos.

A sociedade brasileira, antes mesmo de formar cidadãos, preocupa-se em formar consumidores. O mesmo se da no campo religioso. O mercado de consumo religioso tem suas estratégias para cativar o fiel consumidor, produzindo-lhes inclusive, pseudo-necessidades de consumo, que em sua esmagadora maioria se encontram em posição de vulnerabilidade, seja ela econômica (frente às grandes potencias econômicas que se tornam facilmente algumas instituições religiosas), técnica (incapacidade de produção de bens simbólicos da religião) e/ou teológica (basta verificar a dificuldade para sustentar pontos doutrinários de sua prática religiosa, mesmo que participe do mercado religioso há muito tempo).

Assim, e deixando de lado, no momento, as implicações legais que essa relação de consumo instituída estabelece, é possível afirmar que as deturpações religiosas ocorridas em nosso meio e mais recentemente atingindo também o culto a Ifá aqui no Brasil - e possivelmente em diversos outros locais do planeta - se deve principalmente à essa relação de consumo que pertence à nossa cultura, que em última instância, visa estender o mercado com a atração de novos fiéis consumidores, deixado de lado seus conceitos, preceitos, dogmas, e até mesmo a própria identidade cultural, para agradar e atender as expectativas de possíveis novos seguidores, atendendo assim à lógica de mercado consumerista que faz parte da cultura brasileira.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os sacerdotes e o culto a Orisa



Sempre falamos do código de conduta a ser seguido pelos iniciados... mas e os sacerdotes? Espero que gostem deste texto.
Dentro da cultura de Ancestral, além dos diversos elementos englobados, encontramos o fator religioso presente.

O culto a ancestral, diferentemente do que muitos insistem em afirmar, não se constitui uma seita. Como qualquer outra religião, reúne um grande número de leis éticas, morais e liturgias que respeitam nossas raízes ancestrais.

Deus é o mesmo em todas as religiões monoteístas. Nós somosintegrantes de uma religião monoteísta. Apenas o que muda é o nome que usamos para designar Deus... não o seu amor.

Na nossa religião também temos os sacerdotes. Muito se fala sempre sobre as orientações aos Iyawòs e demais iniciados... jamais se fala sobre as obrigações e responsabilidades dos sacerdotes.

Inicialmente cumpre salientar que não são todas as pessoas que possuem em seu destino o caminho para o sacerdócio. Alguns princípios devem ser observados e rigidamente seguidos.

1. Um sacerdote jamais deve enganar o seu próximo, ensinando um conhecimento que não possui. Jamais devemos falar sobre o que não conhecemos ou passar ensinamentos incorretos.

2. Um sacerdote deve saber distinguir atos e objetos profanos de atos e objetos sagrados. Para realizar um ritual é preciso que a pessoa esteja investido do sacerdócio e que possua conhecimentos básicos para realizá-los.

Considerar que todos, indiscriminadamente, tenham essa investidura para ser um sacerdote, não passa de uma mera manipulação de interesses, principalmente financeiros.

Um sacerdote deve ser dotado de atributos éticos, intelectuais, processuais, morais e de bom caráter... Um ser desprovido destes atributos básicos e essenciais jamais será um legítimo e legitimado sacerdote e essa inobservância é que gera diuturnamente muitos maus sacerdotes, que se proliferam em nossa religião.

3. Um sacerdote não deve dar maus conselhos e orientações erradas. É inaceitável que um sacerdote use seu poder e conhecimento religioso em proveito próprio ou para induzir um seguidor a cometer erros.

4. Um sacerdote não deve fazer uso de recursos falsos, fazendo uso de elementos religiosos sem validade. Um sacerdote precisa, acima de tudo, de responsabilidade.

5. Um sacerdote não pode praticar liturgias para o qual não foi ativado através do processo de iniciação, ou cuja prática é desconhecida. É a aplicação prática da famosa frase: somente pode-se dar aquilo que se tem.

6. Um sacerdote deve identificar o tempo pessoal e espiritual de cada seguidor para somente então avançar na transmissão de conhecimento.

7. Um sacerdote não deve ostentar seu conhecimento com o intuito de humilhar ou confundir. Pelo contrário, deve respeitar quem sabe menos . Uma das missões mais importantes do sacerdote é orientar e ensinar

8. Respeito é um dos pilares da religião. E para exigir respeito, é preciso respeitar primeiro. O verdadeiro sacerdote respeita todos aqueles que também lhe respeitam.

É preciso lembrar sempre que a fé não deve ser pautada no medo. A fé deve encontrar seu alicerce no respeito. Porque no final das contas, o verdadeiro sacerdote deseja e espera apenas que seus seguidores tenham amor pela cultura na qual adentraram pelas suas mãos!

sábado, 23 de junho de 2012

Condutas Humanas influenciadas por Orisa. Será???


É natural nos dias de hoje ouvirmos afirmativas no sentido de que uma pessoa tem essa ou aquela personalidade porque influenciada por determinado Orisa. E isso se refere tanto a características positivas quanto negativas. Principalmente negativas nos dias de hoje.

Quem nunca ouviu dizer que fulano tem orientação homossexual por ser de Orisa feminino? Quem nunca ouviu falar que os homens de Ogun são "mulherengos"? Quem nunca ouviu dizer que Ogun gostaria de fazer sexo com a sua mãe? Que Exu violentou sexualmente não sei quem? Quem nunca ouviu dizer que as mulheres de Oyá são "descontroladas", levando a vida muitas vezes de forma promíscua, porque Oyá era assim? E assim por diante. Diversas são as barbaridades ditas pelos que se intitulam de candomblé, mas que não conhecem na realidade, o que é Orisa.

Dentro da cultura Yorubá, todos aqueles que são muito próximos uns dos outros, são considerados casados. Isso se dá tanto com os seres humanos quanto com os Irunmole. Todos os Irunmole são muito próximos um dos  outros, já que reunidos num único propósito: seguir as determinações de Eledunmare.

Os Irunmole não possuem livre-arbítrio, como nós, seres humanos. Todos os Irunmole somente podem agir de conformidade com as ordens de Eledunmare.

Seguindo as palavras de Ifá, nós, seres humanos somos chamados de Eniyan, ou seja, aquele capaz de fazer o bem e o mal. Já os Irunmole somente são capazes de realizar o bem. São a expressão máxima do moralmente correto, pois são diuturnamente "vigiados" pelo criador. São nossos professores, enviados por Eledunmare e, portanto, não são passíveis de cometer erros.

Buscando a origem destas fábulas, histórias ou sei lá que nome dar a isso, encontramos os missionários cristãos que começaram a escrever livros sobre a tradição Yorubá. Em seguida, os mesmos missionários encorajaram as pessoas na diáspora para misturar o por cristianismo com a tradição Yorubá, alimentando ainda mais essas heresias, com o único objetivo de denegrir a religião Yorubá e seus desdobramentos, a fim de conseguirem novos convertidos para o cristianismo.

E aqui no Brasil, todas essas barbaridades encontraram terreno fértil para se propagar, não apenas por missionários do cristianismo, como também por missionários de outros seguimentos religiosos que buscam novos convertidos e ainda, e principalmente, por pseudo-sacerdotes do culto afro que se utilizam dessas barbáries para agradar seu cliente.

Irunmole jamais se rebaixará às más condutas humanas. Irunmole jamais será conivente. Irunmolè jamais influenciará negativamente o ser humano.

E um ser humano digno de Orisa, jamais culpará Irunmole por suas atitudes. Pelo contrário: um ser humano digno de Orisa lutará dia a dia para vencer seus defeitos, buscando em Irunmole a inspiração e as lições que certamente fará de cada um de nós, um ser humano um pouco melhor que ontem, mas ainda pior do que amanhã. 


Após breve ausência... o retorno!

Há alguns meses me ausentei aqui deste espaço. Mas novamente retorno para compartilhar com todos, algumas vivências pessoais inerentes ao culto à ancestralidade, com todos os meus amigos e leitores.

Meu início  no culto a Orisa não foi dos mais agradáveis. Assim como acontece, é claro, com a maioria das pessoas. Poucos são os que têm a sorte de, desde o início, encontrar uma casa séria, e um sacerdote ou sacerdotisa responsável. Hoje, sei que isso também tem uma razão de ser, mas isso será assunto para um próximo texto.

Bom, após longos e sofridos anos, encontrei então a verdade que me serviu sobre Orisa. Conheci também Ifá. Movimentadas as energias certas pelo meu sacerdote, pude receber de Orisa e Ifá a dádiva de recobrar a saúde e, desta maneira, permanecer viva.

Mas é certo também que para qualquer ser humano, não basta viver. Não basta viver com qualidade. Todo ser humano quer e precisa conquistar. E não falo aqui de conquistas materiais. Conquistas materiais são fruto de esforços pessoais e muito trabalho.

Refiro-me às conquistas pessoais. Refiro-me aos bens que não podem ser adquiridos com dinheiro. E estes bens são os que efetivamente são alcançados com o culto a Ifá e Orisa.

Ifá e Orisa me proporcionaram a dádiva de possuir uma família. Propiciaram-me a riqueza da descendência. Propiciaram-me conhecer o verdadeiro significado da palavra amor. Ifá e Orisa inseriram -me definitivamente no conceito de continuidade, de ancestralidade. Algo até então não considerado mais possível.

E tudo isso significa o quê? Para mim, significa que eu estou no caminho certo. Significa que Ifá e Orisa conferiram-me dignidade o suficiente para fazer parte de todo esse sistema ancestral. Significa que Eledunmare se alegra com minha conduta diante do culto a ancestral. 

Pretensão pensar assim? Sinceramente, acredito verdadeiramente que não. A crítica de outras pessoas apenas me fortalece. Pois a cada nova crítica vinda muitas vezes até da maioria humana, sinto-me ainda mais fortalecida para remar contra essa maré instalada... A cada caminho transposto, me resta a certeza e a confirmação de que Eledunmare, Ifá e Orisa se orgulham de mim, do que sou, do que penso, de como ajo, e me consagram a cada dia com mais e mais conquistas!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A fábula do salão de beleza...

Este texto certamente será melhor compreendido pelas minhas amigas mulheres, que vaidosas por natureza, conhecem o universo da beleza como ninguém. Certo também que nos dias atuais muitos homens, conscientes da necessidade de uma boa aparência, também frequentam e conhecem todos os artifícios disponíveis em busca de uma melhor apresentação.

Mas então vamos ao assunto.

Sempre que procuramos um salão de beleza pela primeira vez, buscamos os serviços mais básicos. Uma simples escova na maioria das vezes. E não raro, o profissional da beleza sempre oferece outros serviços, geralmente um belo corte, mais moderno e atual e também uma hidratação para que as pontas duplas e o ressecamento enxergados por olhos "tão profissionais" sejam eliminados.

Após a realização do "trabalho" inicial, quando nos agradamos, passamos a nos socorrer deste profissional sempre que necessário, ou, não raras vezes, todas as vezes que julgamos necessário.

E como "bom profissional que é" o cabeleireiro sempre tem uma novidade para oferecer às suas clientes: uma tintura, mechas para dar luz ao rosto tao lindo da cliente, escovas progressivas que fazem verdadeiros milagres, alisamentos, reflexos, etc, etc, etc. Para acompanhar ainda o pacote, existem os inúmeros tratamentos de hidratação (desde banhos de chocolate a tratamentos ortomoleculares) para a recuperação dos fios danificados por um sem número de intervenções. Isso quando esses tratamentos mais profundos não são indicados logo após o primeiro "trabalho" que não saiu da forma como esperado...

Assim ocorre, até o momento em que a cliente percebe que praticamente não tem mais cabelo. Os fios estão estragados, quebrados, podres, e nada mais resta que o tratamento de choque: corta-se praticamente tudo... Alguns profissionais ainda oferecem para aquisição apliques, perucas alongamentos, na tentativa de esconder, camuflar os danos causados e muitas vezes irreversíveis. A cliente passa então a constantemente continuar gastando para manter certa aparência... Passa agora a ter que gastar para manter bonita a peruca... (pasmem). Trocando a peruca, fazendo escova na peruca, hidratação na peruca, novos modelos de peruca... Até o ponto em que cansada de tanto tentar melhorar a peruca, assume a mesma definitivamente, conformando-se com o estrago realizado lá atrás...

Com a certeza de que nada mudará com este profissional, algumas se aventuram até mesmo a procurar alguns cursos, abrir seu próprio salão de beleza, primeiro para entender o que se passou consigo mesmo e depois, impedir que outras incautas clientes, sofram os danos sofridos... Outras, por falta de critério ou mesmo responsabilidade, também abrem seus salões, repetindo nos cabelos de novas clientes, os mesmos erros cometidos nas suas próprias madeixas...

E assim vamos caminhando... Cabelos sendo estragados... Cabelos sendo raramente recuperados por bons e responsáveis profissionais... Cabelos sendo criticados por outros profissionais... promessas de recuperação imediata dos fios... críticas de outros profissionais (já que o serviço de um sempre é melhor que o serviço do outro)...

Mas esta fábula termina de uma forma diferente... as conclusões ficarão ao critério de cada leitor... A fábula do salão de beleza Candomblé certamente continuará atual por muitos e muitos anos... com as mais variadas conclusões...

Um viva aos Bons Profissionais deste Salão!

domingo, 15 de abril de 2012

Culto a Orisa Osoosi na Nigéria

Muito se fala aqui no Brasil sobre a decadência do culto a Orisa na Nigéria.

Muitos inclusive afirmam que o culto a Osoosi não mais existiria em solos Africanos.

Em virtude de todas essas informações equivocadas, postei um vídeo neste blog, que mostra sacerdotes e sacerdotisas de Orisa Osoosi, em festividade realizada na cidade de Sagamu, Ogun State, Nigéria.

Estas sacerdotisas dançam, cantam e exibem os instrumentos que os identificam com esse Orisa.

Novamente aqui vale aquela velha máxima: "não é porque a maioria não conhece, que não existe".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ogunda Irete: A importância da nossa família, nossa linhagem.

Bile ba baje
A tun ko
Bona na baje
A tun ye
Booko Baba eni ba baje
Eni a dirankiran
Eni a deeyankeeyan
Difa fun Ogun
Nijo ti lo ree dajo awon odale eniyan
Nje Booko Baba eni ba baje
Eni a dirankiran
Eni a deeyankeeyan
Riru ebo
Eeru atukesu
e waa bani laarin ire
Marinrin ire laa bani lese ope


Tradução

Quando a casa é destruída
Podemos reconstruí-la.
Quando uma estrada é destruída
Podemos reconstruí-la
Quando o nome de um pai é destruído
Ageração torna-se em ruínas.
A geração torna-se obliterada
Advinhação feita para Ogun
No dia em que ia julgar o caso dos rebeldes
Poranto quando o próprio nome da linhagem é destruída
Ela se tornaria em ruínas
A geração seria destruída
Oferta de sacrificio
E presentes para Esu.
Venha conhecer-nos com boas novas
Um deles será encontrado com boas novas na base da palmeira.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Até onde pode ir a nossa fé?

Este texto foi enviado por Yuri Neira através de e-mail, solicitando autorização para publicação.
Espero que os leitores deste blog gostem do conteúdo e, diante da iniciativa do leitor Yuri, animem-se em enviar também as suas colaborações, que sempre serão bem-vindas!




Às vezes me pego pensando, até onde pode ir nossa fé? Tem
algum certo limite?
Fico me questionando, porque tantas pessoas abandonaram o
culto a Orisa? Será que a proposta feita pelo zelador não conseguiu ser
alcançada? Ou as decepções e desilusões foram tão autenticas que a fizeram
desistir?
Onde podemos buscar a resposta para tudo isto?
Quem é o errado? A pessoa ou Orisa?
Ou a falta de preparação do zelador?
E você, que está lendo... Em todos os jogos de búzios que
zeladores (as) foram consultar, quantos deles falaram que deveriam dar um
Egbori? Ou ate mesmo iniciado? Para que os problemas acabassem... Quantas
dessas pessoas acreditaram e se iniciaram sem ao menos saber o que é o Culto a
Orisa, com a doce ilusão, que a inocência da vitima chega a ser cruel... De que
todos os problemas iriam estar resolvidos dentre 21 dias recolhidos. 
Relativamente, os dias vão passando e a vida continuando...
E cadê os problemas resolvidos? O que antes era a maravilhosa solução acaba se
tornando seu maior problema. Tudo isto ocasionado pela pressa, desespero e
despreparo do Zelador que por incrível resultado, interfere para o resto da
vida da pessoa iniciada, o destino.
E nosso culto a Orisa? Como ficam todas essas pessoas que agem intencionalmente com o interesse de prejudicar alguém, ou ainda involuntariamente, com o conhecimento recebido incorretamente?Fé, o que seria? Uma autoconfiança? Ou apenas uma coisa
abstrata que nos ajuda a chegar ao ponto desejado? Pois é, a fé... Ela nunca
nos abandona, sentimos que não estamos sozinhos. A fé é aquela força interna, a
força da vontade... E com ela, tudo fica mais fácil.  Alias, precisamos dela para alcançar nossos
objetivos, ela nos dá força, energia para expelirmos a força que existe dentro
de nos para superarmos supostas situações em nossas vidas. A fé sempre chega
para apaziguar.
Todos nos precisamos de Fé. E sabe por quê? Por que
precisamos acreditar, mas acreditar com conhecimento, porque ter fé e acreditar
sem conhecimento já é loucura.
A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas.
A fé pode ser vista de duas maneiras no contexto religioso, que alguém aceita as visões dessa religião como verdadeiras. Que alguém é leal para com uma determinada comunidade religiosa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

E A BATALHA CONTINUA...

Inicialmente quero aproveitar para desejar a todos que acompanham este espaço, um feliz 2012 repleto de todas aquelas coisas que desejamos uns aos outros nesta ocasião, mas em especial, que possam nesse novo ano que se inicia, viverem sempre com dignidade, desenvolvendo cada dia mais o bom caráter, alcançando assim o direito a uma vida longa.

Hoje em um debate do qual participei, me deparei com a seguinte indagação: É possível um sacerdote de Osun iniciar um Elegun ao Orisa Òbá? E as respostas foram uníssonas no sentido de que Sim. Que Orisa não conhece as intrigas impostas pelos seres humanos. Que Orisa é superior a tudo isso. Que se a pessoa foi iniciada e está feliz, é sinal de que tudo anda bem! E assim por diante.

E também para variar, a única pessoa que discordou da esmagadora maioria foi eu (rs..).

Colocarei aqui o meu ponto de vista, baseado na cultura que sigo, da maneira mais simplória possível, propiciando assim a todos o entendimento dos meus argumentos. Vejamos:

1. Voltando ao tema posto para análise anteriormente, volto a questionar: como pode um sacerdote de Osun, que foi iniciado no culto a Osun, que supostamente absorveu conhecimento sobre o culto a Osun, que recebeu o sacerdócio referente a cultura de Osun, que possui o asé de Osun, transmitir qualquer outro asé, qualquer outro conhecimento cultural, que seja diferente do culto a Osun? Não obtive resposta.

2. Outro ponto a ser ressaltado nesta situação específica entre Osun e Òbá refere-se à especificidade de culto ancestral feminino inerente a cada um destes Orisa. Osun instituiu a Sociedade Gelede, formada por mulheres para o culto a ancestralidade feminina. Já Òbá é a responsável pela criação da Sociedade Eleeko, também voltada ao culto ancestral feminino, mas que em nada se assemelha à sociedade criada por Osun.
E fato importante é que uma não é bem vinda dentro da sociedade da outra.
Por outro lado, esse culto é fundamental para a complementação da iniciação de Eleguns deste Orisa.
Novamente perguntei: como pode então um homem de Osun propiciar essa complementação à um Elegun de Òbá??? E novamente fiquei sem respostas.

3. Após este debate fui surpreendida com a afirmação de que a busca pelo fundamentalismo inviabiliza o culto a Orisa no Brasil! Como resposta, ofereci uma afirmação e um novo questionamento que agora compartilho com vocês: se fundamentalismo se refere a algo que é fundamental, se deixarmos de buscar o fundamentalismo o que acontece? Deixa de ter fundamento. E se não tem fundamento, existe porventura Orisa??? Ainda continuo sem a resposta dos outros debatedores...

O culto a Orisa em solo brasileiro é perfeitamente possível, desde é claro que devidamente fundamentado na sua origem cultural. Culto a vários Orisa num único espaço também é possível, desde que mantida a sua individualidade. Todavia, isso significaria para muitos um retrocesso.

Mas o que é o culto a Orisa senão a busca no passado de soluções para o presente, propiciando assim um futuro melhor?