Esta semana, durante o Programa Super Pop da Rede TV, pudemos acompanhar um debate referente ao tema Maus-Tratos a animais. Inúmeras imagens foram veiculadas, mostrando cenas emocionantes de cachorrinhos, gatinhos e outros animais. Não sendo ainda suficiente, relacionaram os citados maus-tratos às religiões de matriz africana, atribuindo às práticas rituais a mesma conotação pejorativa dada àqueles que cometem atos de crueldade com animais domésticos.
Diante de tantos absurdos ditos em tal reportagem, escolhi apenas um aspecto para comentar, por julgá-lo ser neste instante o ponto de maior importância para todos nós que adotamos como religião, o culto a Orisa.
Sob meu ponto de vista, foi lamentável a participação do Umbandista selecionado para representar toda a comunidade de culto afro-descendente do Brasil. Causou-me espanto a falta de argumentos utilizados. Causou-me espanto um umbandista (que em tese não oferece elemento vital animal em seu culto) tenha sido escolhido para representar uma cultura da qual não faz parte. Causou-me espanto as afirmações do representante designado no sentido de que os sacrifícios são feitos apenas para utilizar a carne para a alimentação (se assim for, basta se dirigir a um açougue e comprar a carne politicamente correta, não é?).
Os argumentos jurídicos utilizados pelo representante umbandista foram extremamente primários. Os demais argumentos foram, no mínimo infantis. Não deixaram ele falar? Claro! As pessoas somente estão dispostas a ouvir aqueles que realmente tem algo a dizer. E infelizmente não foi o caso. Argumentos do tipo: “você não conhece a umbanda”, “você não conhece o candomblé”, “tenho 20 e tantos anos de religião”, “minha família é umbandista e tenho uma filha advogada” não são passíveis de consideração num debate onde as pessoas são preparadas para defender as suas idéias com argumentos sólidos.
Em nenhum momento, foram utilizados argumentos culturais e sociais de toda uma nação. Em momento algum foram utilizados argumentos que demonstrassem a enorme distância que existe entre maus-tratos a animais e ofertas rituais. Em nenhum momento foi argumentado no sentido de se explicar qual a finalidade da utilização de uma força vital em benefício de outra vida.
Os outros debatedores utilizaram o conceito pejorativo da “macumba e despacho” que está enraizado no conceito de candomblé no Brasil.
Lamentei também a postura do representante umbandista, criticando o pai de santo de Santo André. Criticou-o pq ele não é filiado à Federação do umbandista? Isso não é argumento. E aquele indivíduo, marmoteiro ou não, é o retrato da instituição candomblé no Brasil. Filiado ou não, deveria ter sido defendido já que representante (mesmo que ilegal) de uma religião brasileira.
Fico indignada com o fato de que em todos os setores os menos favorecidos são sempre sub-julgados... Porque a reportagem do programa não invadiu uma casa tradicional de candomblé, como o Gantois, Opo Afonjá,, etc..., seja na Bahia ou mesmo em Sp, para então mostrar os ditos “maus-tratos”? Por que não invadiram Centros Culturais luxuosos existentes em São Paulo, Rio de Janeiro? Por quê????
Seria por questões religiosas? Ou será que também o financeiro nesta hora crucial é fator dominante? Ou será que é porque estas grandes casas são freqüentadas por políticos, empresários, artistas?
A “profecia” está se realizando..E o fim está próximo. Não temos representantes preparados. Não temos pessoas com argumentos sólidos. Não temos organização. E a instituição está fadada ao extermínio... Daqui uns dias, todos passarão de candomblecistas a criminosos...
Mo Júbà, Excelente matéria, meus parabéns, por todo blog.
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