segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Última Alternativa!

Duas são as classes dominantes das pessoas que procuram o candomblé no Brasil: os desesperados e os excluídos socialmente.

Todas as pessoas que passam por dificuldades na vida, e que sozinhos não conseguem superá-las busca o auxílio religioso. Primeiro, buscam a Deus nos mais diversos seguimentos religiosos (igreja católica, protestante, budismo, etc...) socialmente aceitos.

Se ainda assim nada for resolvido e, como se chegassem a conclusão de que Deus nada fará por eles, acabam por buscar então o candomblé, atrás de uma "mágica" que resolva todos os problemas instantaneamente.

Encaram o candomblé como o caminho a ser seguido por todos aqueles que Deus abandonou.

Todo esse grupo, forma o contingente que aceita todo o tipo de humilhação; entende Orisa como o agente punidor, que dá surra e que não o ajuda também por ser uma pessoa que comete muitos erros. Só que os erros agora não são cometidos com Deus, mas sim com os pais e mães de santo, com a casa e com o próprio Orisa.

O segundo grupo dominante do candomblé é aquele formado por todos aqueles que são excluídos socialmente e que teriam, para fazerem parte de outra religião, que modificar drásticamente o modo como escolheram levar a vida.

Por encontrarem no candomblé a abertura tão almejada, acabaram por se apossarem da cultura como um todo, modificando as regras pré-existentes, modificando histórias, adicionando elementos inexistentes na religião candomblé original, enfim, transformando o candomblé nisso que encontramos hoje.

Este segundo grupo acabou por dominar o grupo dos desesperados, e hoje estão no comando. E os que também são excluídos socialmente, mas que ainda não alcançaram o posto de dirigente, almejam isso como quem almeja a própria redenção.

Muitos, com certeza, podem discordar do que eu digo. Mas como eu sempre digo, a minha intenção não é agradar. Pelo contrário. Acredito que as pessoas devem parar de tampar o sol com a peneira, e tomarem consciência de que o candomblé pensado no início, simplesmente não existe mais. É preciso que as pessoas deixem de ter em suas mentes que Orisa é mágica. É preciso que as pessoas deixem as mistificações de lado.

O culto a Orisa precisa de pessoas que não tenham Orisa como última alternativa, mas sim, como primeira alternativa. Precisamos de pessoas que entendam que no passado encontraremos respostas e forças para fazer um futuro melhor, para que possamos caminhar no destino pré-estabelecido, conquistando dia após dia,   o direito de viver nessa terra com dignidade.

2 comentários:

  1. blog muito interessante, muitíssimo bem escrito!!!

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  2. Obrigada Giancarlo... aguardo comentários e sugestões para novas abordagens... Minha intenção aqui é sempre oferecer textos simples, para que as pessoas possam realmente entender algo a respeito da cultura... Sou da seguinte opinião: quem fala difícil ou fala para quem não precisa ouvir ou não quer ser entendido por aqueles que buscam uma resposta.

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